I.
Objectivos Gerais
O Seminário pretende propor estratégias de ensino/aprendizagem
com o fim de adequar o processo docente-educativo às
novas tendências dominantes no processo de ensino e melhorar
os níveis de sucesso escolar.
II. Objectivos Específicos
Discutir estratégias que permitam ao professor melhorar
o discurso na aula com o fim de guiar o aluno na distinção
clara do verbo auxiliar em relação ao verbo principal.
1. - relação diferencial entre:
verbo simples e verbo composto
verbo principal e verbos auxiliares
2. - a questão da sua
denominação
subordinação verbal
verbos auxiliares
verbos compostos
conjugação perifrástica
III. Metodologia
O prelector fará uma breve exposição, dando
exemplos concretos sobre o subtema em questão. Seguir-se-á
uma discussão livre, devendo o prelector estar aberto
à contestação pelos colegas dos argumentos
transmitidos. O moderador fará a síntese, à
guisa de conclusão, dos aspectos essenciais a reter.
IV. Conteúdos
Vamos dividir este capítulo
em duas partes, sendo uma reservada à análise
do fenómeno em estudo e o segundo às várias
denominações que este fenómeno adquire
em função da sua natureza específica.
Primeira parte
Náusea (excerto)
Da sua cubata de Samba Kimôngua, velho João saiu
com a família, de manhãzinha muito cedo, e desceu
a calçada, atravessou a cidade, toda a cidade mesmo,
até os confins da baixa, passou pela ponte e pisou a
ilha. Mas não já a mesma ilha dos tempos antigos.
Pisou uma ilha sem areia, asfaltada, com casas bonitas onde
não moram pescadores.
Velho João ia visitar o irmão que estava doente,
mas também queria escapar por algum tempo ao calor da
cubata de latas de petróleo. A ilha é fresca quando
se repousa à sombra dos coqueiros contemplando os pescadores
a recolher o peixe.
In Náusea, Agostinho
Neto (2005). Angola 30 Anos 30 Contos, Inald, Luanda. pp.13/14.
Comentários
O texto deve ser um elemento
indispensável na aula de língua portuguesa. É
ele que nos oferece o conjunto de instrumentos que viabilizam
a prática mais eficaz de interacção oral
e escrita da língua, como elemento de trabalho. Para
a aula de língua portuguesa, mais concretamente esta
que estamos a levar a cabo, é no texto onde se realizaram
as perspectivas nas quais fomos buscar os instrumentos que servirão
de base à sua exploração e análise
dos aspectos gramaticais do domínio desta aula.
De que forma podemos
distinguir o verbo principal do verbo auxiliar?
Como simulação, mais propriamente para o texto
que apresentamos, deve-se pedir ao aluno que reconheça
no texto todos os verbos nele contidos e a partir daí
analisar (quer dizer falar sobre) os verbos que aparecem isolados
e os que aparecem junto de outros, ou seja, não isolados.
Depois de identificado o fenómeno, o professor já
pode dar um nome a este fenómeno, neste caso, designá-lo
à luz da gramática, como elemento regulador da
norma.
Vejamos a seguinte demonstração:
“Da sua cubata de Samba Kimôngua, velho João
saiu com a família, de manhãzinha muito cedo,
e desceu a calçada, atravessou a cidade, toda a cidade
mesmo, até os confins da baixa, passou pela ponte e pisou
a ilha. Mas não já a mesma ilha dos tempos antigos.
Pisou uma ilha sem areia, asfaltada, com casas bonitas onde
não moram pescadores.
Velho João ia visitar o irmão que estava doente,
mas também queria escapar por algum tempo ao calor da
cubata de latas de petróleo. A ilha é fresca quando
se repousa à sombra dos coqueiros contemplando os pescadores
a recolher o peixe.”
No texto em estudo, no seu
segundo parágrafo, encontramos casos de verbos como,
adiante designados por primeiro caso: “ia visitar”;
“queria escapar” que se afiguram diferentes dos
outros que constam do primeiro parágrafo, assim como
alguns que constam do segundo, adiante designados por segundo
caso, designadamente: “estava”; “repousa”;
“recolher”. Partindo desta constatação,
diríamos que, no primeiro caso, denominaríamos
de verbos principal e auxiliar e, no segundo caso, de verbos
simples.
O que é isto
de verbo simples e verbos principal e auxiliares?
1. O caso do verbo simples é o verbo de significação
plena, nuclear de uma oração que não necessita
de auxílio de outro verbo (a título de exemplo,
vide os verbos do segundo caso).
2. O caso do verbo principal
e do auxiliar contém um verbo principal e um verbo auxiliar
(a título de exemplo, vide os verbos do primeiro caso).
2.1. O principal é o verbo de significação
plena, nuclear de uma oração.
2.2. Os auxiliares são aqueles com que se conjugam os
verbos principais, ou seja, são verbos que marcam a flexão
verbal ao lado do principal.
Estes verbos formam “os
tempos compostos”, “a voz da passiva” e “a
conjugação perifrástica”, fenómenos
gramaticais nos quais é recorrente a presença
de verbos, sendo um “principal” e outro “auxiliar”.
Vamos passar a falar, com mais detalhes, da natureza destes
fenómenos.
2.2.1. Os tempos compostos
: quando os verbos “ter e haver” se empregam com
o particípio do verbo principal, detentores de um facto
acabado, repetido ou contínuo.
Exemplo: Tenho feito exercícios.
Havíamos comprado livros.
2.2.2 A voz passiva: quando o verbo “ser” se emprega
com o particípio do verbo principal para formar a voz
passiva de acção . Por outra, quando o verbo “estar”
se emprega com o particípio do verbo principal, para
formar tempos da voz passiva de estado.
Exemplo: Exercícios
foram feitos por mim.
Livros serão comprados por nós.
Estou arrependido do que fiz.
Estamos impressionados com o facto.
2.2.3. A conjugação perifrástica é
constituída por um verbo principal no infinitivo ou no
gerúndio e um verbo auxiliar no tempo que se quer conjugar,
ou seja, quando os verbos “ter” e “haver”
se empregam com o infinitivo do verbo principal antecedido da
preposição de, para exprimir, respectivamente,
a obrigatoriedade ou o firme propósito de realizar o
facto. A conjugação perifrástica pode apresentar
diferentes valores: continuidade, início, intenção,
necessidade, realização futura, realização
gradual, acontecimento simultâneo.
Exemplos:
Velho João ia visitar o irmão que estava doente,
mas também queria escapar por algum tempo ao calor da
cubata de latas de petróleo.
Na Expressão “ia
visitar”, o verbo principal é visitar, que está
conjugado no infinitivo e o auxiliar é o ia (ir), conjugado
no pretérito imperfeito, para indicar movimento em direcção
a determinado fim . Ao passo que, na expressão “queria
escapar”, o verbo principal é escapar, que está
conjugado no infinitivo, e o auxiliar é o verbo queria
(querer), conjugado no pretérito imperfeito do indicativo,
para indicar a intenção de realizar um acto.
Segunda parte
A questão das denominações.
Seu necessário conhecimento e distinção.
O fenómeno em estudo
pode ter várias denominações de acordo
com a sua natureza específica, conforme adiante vimos
e passaremos a demonstrar nas definições que se
seguem.
Verbos compostos : quando os
verbos “ter” e “haver” se empregam com
o particípio do verbo principal, detentores de um facto
acabado, repetido ou contínuo.
Conjugação perifrástica é constituída
por um verbo principal no infinitivo ou no gerúndio e
um verbo auxiliar no tempo que se quer conjugar, ou seja, quando
os verbos “ter” e “haver” se empregam
com o infinitivo do verbo principal antecedido da preposição
de, para exprimir, respectivamente, a obrigatoriedade ou o firme
propósito de realizar o facto.
Subordinação verbal é o acto pelo qual
um verbo se subordina a outro para que este lhe complete o sentido.
A voz passiva quando o verbo
“ser” se emprega com o particípio do verbo
principal para formar a voz passiva de acção.
Por outra, quando o verbo “estar” se emprega com
o particípio do verbo principal, para formar tempos da
voz passiva de estado.
Como acabámos de ver,
estas designações podem conformar o fenómeno
que estamos a analisar, conforme aparecem comentados e demonstrados
ao longo do nosso trabalho.
Dr. Abreu Paxe
ISCED de Luanda
V. Referências
Antologia de Contos Angolanos(2005).
Angola 30 Anos Trinta Contos. Inald., Luanda.
CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. (1999) Nova Gramática
do Português Contemporâneo. Edições
Sá da Costa 15ª edição. Lisboa, Portugal.
GRAMADO, Naité.(1996). Dicionário de Verbos Portugueses,
Plátano Editora, S.A. Lisboa, Portugal.
MATEUS, Mira et alii.(1995). Gramática da Língua
Portuguesa. Editorial Caminho, Lisboa, Portugal.
MOURA, José de Almeida. (2003).Gramática do Português
Actual, Lisboa, Portugal.
PERES e MOIA. (1995). Áreas Críticas da Língua
Portuguesa. Editorial Caminho, Lisboa, Portugal.
SILVA, Dulce e SILVA, Lilia.(2003). Jogos de Oralidade –
Trabalhar e Avaliar a Oralidade na Sala de Aula, Porto, Portugal.
|