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Temática Para um Seminário Sobre Didáctica e
Metodologia da Língua Portuguesa
Subtema: O Verbo na Oração: verbos principais
e verbos auxiliares.
(2° número / Fevereiro 2007)


I. Objectivos Gerais
O Seminário pretende propor estratégias de ensino/aprendizagem com o fim de adequar o processo docente-educativo às novas tendências dominantes no processo de ensino e melhorar os níveis de sucesso escolar.

II. Objectivos Específicos
Discutir estratégias que permitam ao professor melhorar o discurso na aula com o fim de guiar o aluno na distinção clara do verbo auxiliar em relação ao verbo principal.

1. - relação diferencial entre:
verbo simples e verbo composto
verbo principal e verbos auxiliares

2. - a questão da sua denominação
subordinação verbal
verbos auxiliares
verbos compostos
conjugação perifrástica

III. Metodologia
O prelector fará uma breve exposição, dando exemplos concretos sobre o subtema em questão. Seguir-se-á uma discussão livre, devendo o prelector estar aberto à contestação pelos colegas dos argumentos transmitidos. O moderador fará a síntese, à guisa de conclusão, dos aspectos essenciais a reter.

IV. Conteúdos

Vamos dividir este capítulo em duas partes, sendo uma reservada à análise do fenómeno em estudo e o segundo às várias denominações que este fenómeno adquire em função da sua natureza específica.

Primeira parte

Náusea (excerto)
Da sua cubata de Samba Kimôngua, velho João saiu com a família, de manhãzinha muito cedo, e desceu a calçada, atravessou a cidade, toda a cidade mesmo, até os confins da baixa, passou pela ponte e pisou a ilha. Mas não já a mesma ilha dos tempos antigos. Pisou uma ilha sem areia, asfaltada, com casas bonitas onde não moram pescadores.
Velho João ia visitar o irmão que estava doente, mas também queria escapar por algum tempo ao calor da cubata de latas de petróleo. A ilha é fresca quando se repousa à sombra dos coqueiros contemplando os pescadores a recolher o peixe.

In Náusea, Agostinho Neto (2005). Angola 30 Anos 30 Contos, Inald, Luanda. pp.13/14.

Comentários

O texto deve ser um elemento indispensável na aula de língua portuguesa. É ele que nos oferece o conjunto de instrumentos que viabilizam a prática mais eficaz de interacção oral e escrita da língua, como elemento de trabalho. Para a aula de língua portuguesa, mais concretamente esta que estamos a levar a cabo, é no texto onde se realizaram as perspectivas nas quais fomos buscar os instrumentos que servirão de base à sua exploração e análise dos aspectos gramaticais do domínio desta aula.

De que forma podemos distinguir o verbo principal do verbo auxiliar?
Como simulação, mais propriamente para o texto que apresentamos, deve-se pedir ao aluno que reconheça no texto todos os verbos nele contidos e a partir daí analisar (quer dizer falar sobre) os verbos que aparecem isolados e os que aparecem junto de outros, ou seja, não isolados. Depois de identificado o fenómeno, o professor já pode dar um nome a este fenómeno, neste caso, designá-lo à luz da gramática, como elemento regulador da norma.

Vejamos a seguinte demonstração:
“Da sua cubata de Samba Kimôngua, velho João saiu com a família, de manhãzinha muito cedo, e desceu a calçada, atravessou a cidade, toda a cidade mesmo, até os confins da baixa, passou pela ponte e pisou a ilha. Mas não já a mesma ilha dos tempos antigos. Pisou uma ilha sem areia, asfaltada, com casas bonitas onde não moram pescadores.
Velho João ia visitar o irmão que estava doente, mas também queria escapar por algum tempo ao calor da cubata de latas de petróleo. A ilha é fresca quando se repousa à sombra dos coqueiros contemplando os pescadores a recolher o peixe.”

No texto em estudo, no seu segundo parágrafo, encontramos casos de verbos como, adiante designados por primeiro caso: “ia visitar”; “queria escapar” que se afiguram diferentes dos outros que constam do primeiro parágrafo, assim como alguns que constam do segundo, adiante designados por segundo caso, designadamente: “estava”; “repousa”; “recolher”. Partindo desta constatação, diríamos que, no primeiro caso, denominaríamos de verbos principal e auxiliar e, no segundo caso, de verbos simples.

O que é isto de verbo simples e verbos principal e auxiliares?
1. O caso do verbo simples é o verbo de significação plena, nuclear de uma oração que não necessita de auxílio de outro verbo (a título de exemplo, vide os verbos do segundo caso).

2. O caso do verbo principal e do auxiliar contém um verbo principal e um verbo auxiliar (a título de exemplo, vide os verbos do primeiro caso).
2.1. O principal é o verbo de significação plena, nuclear de uma oração.
2.2. Os auxiliares são aqueles com que se conjugam os verbos principais, ou seja, são verbos que marcam a flexão verbal ao lado do principal.

Estes verbos formam “os tempos compostos”, “a voz da passiva” e “a conjugação perifrástica”, fenómenos gramaticais nos quais é recorrente a presença de verbos, sendo um “principal” e outro “auxiliar”. Vamos passar a falar, com mais detalhes, da natureza destes fenómenos.

2.2.1. Os tempos compostos : quando os verbos “ter e haver” se empregam com o particípio do verbo principal, detentores de um facto acabado, repetido ou contínuo.

Exemplo: Tenho feito exercícios.
Havíamos comprado livros.

2.2.2 A voz passiva: quando o verbo “ser” se emprega com o particípio do verbo principal para formar a voz passiva de acção . Por outra, quando o verbo “estar” se emprega com o particípio do verbo principal, para formar tempos da voz passiva de estado.

Exemplo: Exercícios foram feitos por mim.
Livros serão comprados por nós.

Estou arrependido do que fiz.
Estamos impressionados com o facto.

2.2.3. A conjugação perifrástica é constituída por um verbo principal no infinitivo ou no gerúndio e um verbo auxiliar no tempo que se quer conjugar, ou seja, quando os verbos “ter” e “haver” se empregam com o infinitivo do verbo principal antecedido da preposição de, para exprimir, respectivamente, a obrigatoriedade ou o firme propósito de realizar o facto. A conjugação perifrástica pode apresentar diferentes valores: continuidade, início, intenção, necessidade, realização futura, realização gradual, acontecimento simultâneo.

Exemplos:
Velho João ia visitar o irmão que estava doente, mas também queria escapar por algum tempo ao calor da cubata de latas de petróleo.

Na Expressão “ia visitar”, o verbo principal é visitar, que está conjugado no infinitivo e o auxiliar é o ia (ir), conjugado no pretérito imperfeito, para indicar movimento em direcção a determinado fim . Ao passo que, na expressão “queria escapar”, o verbo principal é escapar, que está conjugado no infinitivo, e o auxiliar é o verbo queria (querer), conjugado no pretérito imperfeito do indicativo, para indicar a intenção de realizar um acto.

Segunda parte

A questão das denominações. Seu necessário conhecimento e distinção.

O fenómeno em estudo pode ter várias denominações de acordo com a sua natureza específica, conforme adiante vimos e passaremos a demonstrar nas definições que se seguem.

Verbos compostos : quando os verbos “ter” e “haver” se empregam com o particípio do verbo principal, detentores de um facto acabado, repetido ou contínuo.

Conjugação perifrástica é constituída por um verbo principal no infinitivo ou no gerúndio e um verbo auxiliar no tempo que se quer conjugar, ou seja, quando os verbos “ter” e “haver” se empregam com o infinitivo do verbo principal antecedido da preposição de, para exprimir, respectivamente, a obrigatoriedade ou o firme propósito de realizar o facto.

Subordinação verbal é o acto pelo qual um verbo se subordina a outro para que este lhe complete o sentido.

A voz passiva quando o verbo “ser” se emprega com o particípio do verbo principal para formar a voz passiva de acção. Por outra, quando o verbo “estar” se emprega com o particípio do verbo principal, para formar tempos da voz passiva de estado.

Como acabámos de ver, estas designações podem conformar o fenómeno que estamos a analisar, conforme aparecem comentados e demonstrados ao longo do nosso trabalho.

Dr. Abreu Paxe
ISCED de Luanda


V. Referências

Antologia de Contos Angolanos(2005). Angola 30 Anos Trinta Contos. Inald., Luanda.
CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. (1999) Nova Gramática do Português Contemporâneo. Edições Sá da Costa 15ª edição. Lisboa, Portugal.
GRAMADO, Naité.(1996). Dicionário de Verbos Portugueses, Plátano Editora, S.A. Lisboa, Portugal.
MATEUS, Mira et alii.(1995). Gramática da Língua Portuguesa. Editorial Caminho, Lisboa, Portugal.
MOURA, José de Almeida. (2003).Gramática do Português Actual, Lisboa, Portugal.
PERES e MOIA. (1995). Áreas Críticas da Língua Portuguesa. Editorial Caminho, Lisboa, Portugal.
SILVA, Dulce e SILVA, Lilia.(2003). Jogos de Oralidade – Trabalhar e Avaliar a Oralidade na Sala de Aula, Porto, Portugal.


 
 
 
 
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